O glaucoma infantil é uma condição rara mas grave que, se não tratada adequadamente, pode levar à perda irreversível da visão. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para preservar a saúde ocular da criança.
“O glaucoma infantil é diferente do glaucoma em adultos e requer abordagem especializada. Quanto mais cedo identificado, melhores as chances de preservar a visão”, explica a Dra. Karla Delalíbera, oftalmopediatra da Blink Oftalmologia em Brasília.
O Que É Glaucoma Infantil?
O glaucoma infantil é um grupo de doenças caracterizado pelo aumento da pressão intraocular que lesa o nervo óptico, podendo causar perda visual progressiva e permanente. Diferente do glaucoma em adultos, o glaucoma em crianças pode causar alargamento e aumento do olho.
A pressão intraocular elevada ocorre devido ao comprometimento da drenagem do humor aquoso, o líquido que preenche o interior do olho.
Tipos de Glaucoma Infantil
Glaucoma Congênito Primário: Presente ao nascimento ou se manifesta nos primeiros anos de vida. Causado por desenvolvimento anormal do sistema de drenagem ocular.
Glaucoma Infantil Secundário: Resulta de outras condições oculares como catarata congênita, trauma, inflamação, tumores ou uso prolongado de corticoides.
Glaucoma Associado a Síndromes: Ocorre em associação com síndromes genéticas como Sturge-Weber, Axenfeld-Rieger, aniridia.
“A maioria dos casos que atendo em Brasília são glaucomas congênitos primários, mas é essencial investigar causas secundárias”, comenta a Dra. Karla.
Incidência e Fatores de Risco
O glaucoma congênito primário ocorre em aproximadamente 1 em cada 10.000 a 20.000 nascidos vivos. Fatores de risco incluem:
Histórico familiar de glaucoma infantil.
Outras anomalias oculares congênitas.
Síndromes genéticas.
Trauma ocular.
Cirurgia ocular prévia (especialmente catarata congênita).
Uso prolongado de corticoides.
Prematuridade (risco de glaucoma associado à retinopatia da prematuridade).
Sinais e Sintomas – Tríade Clássica
O glaucoma congênito apresenta uma tríade clássica de sintomas:
Epifora (lacrimejamento excessivo): Olhos constantemente lacrimejantes.
Fotofobia (sensibilidade à luz): Criança evita luz, fecha ou protege os olhos.
Blefaroespasmo: Espasmo ou fechamento involuntário das pálpebras.
Outros sinais importantes:
Buftalmo (olho grande, globo ocular aumentado).
Córnea aumentada e opaca (fica embaçada ou leitosa).
Estrias de Haab (rupturas na membrana de Descemet da córnea).
Assimetria no tamanho dos olhos.
Vermelhidão ocular.
Visão reduzida ou comportamento que indica dificuldade visual.
Miopia progressiva.
“Pais que notam olhos grandes demais ou lacrimejamento persistente em bebês devem procurar avaliação oftalmológica urgente”, alerta a oftalmopediatra.
Diagnóstico
O diagnóstico do glaucoma infantil pode ser desafiador e geralmente requer exame sob anestesia em bebês e crianças pequenas:
Medição da pressão intraocular: Tonometria para avaliar se a pressão está elevada.
Exame da córnea: Avaliação do tamanho (diâmetro corneal), claridade e presença de estrias.
Gonioscopia: Examina o ângulo de drenagem do olho.
Fundoscopia: Avaliação do nervo óptico em busca de danos.
Medida do diâmetro corneal: Córneas maiores que 12mm em recém-nascidos são suspeitas.
Refração: Avaliação do grau, pois miopia progressiva pode indicar glaucoma.
Ultrassonografia ocular: Mede o comprimento axial do olho.
Paquimetria: Mede a espessura da córnea.
Campimetria visual: Em crianças maiores, avalia o campo visual.
OCT (Tomografia de Coerência Óptica): Avalia detalhadamente o nervo óptico e camadas da retina.
Tratamento
O tratamento do glaucoma infantil é principalmente cirúrgico, diferente do glaucoma em adultos onde medicamentos são geralmente a primeira opção:
Tratamento Cirúrgico:
Goniotomia: Incisão no trabeculado para melhorar a drenagem. Indicada quando a córnea está clara.
Trabeculotomia: Abertura do canal de Schlemm para facilitar drenagem. Pode ser realizada mesmo com córnea opaca.
Trabeculectomia: Criação de nova via de drenagem quando procedimentos anteriores falharam.
Implante de tubo de drenagem: Dispositivos como válvula de Ahmed ou tubo de Baerveldt para casos refratários.
Ciclofotocoagulação: Laser para reduzir produção de humor aquoso em casos muito graves.
“A cirurgia deve ser realizada o mais rapidamente possível para prevenir danos irreversíveis ao nervo óptico”, enfatiza a Dra. Karla.
Tratamento Medicamentoso:
Utilizado como adjuvante ou enquanto se aguarda cirurgia:
Colírios hipotensores oculares para reduzir pressão.
Beta-bloqueadores, inibidores da anidrase carbônica, análogos de prostaglandinas.
Menos eficazes em crianças que em adultos.
Tratamento da Ambliopia:
Correção óptica adequada com óculos.
Oclusão do olho melhor se houver ambliopia.
Acompanhamento regular do desenvolvimento visual.
Prognóstico
O prognóstico depende de diversos fatores:
Precocidade do diagnóstico: Quanto mais cedo, melhor o prognóstico.
Gravidade inicial: Danos severos ao nervo óptico têm prognóstico reservado.
Controle da pressão intraocular: Essencial manter pressão adequada após cirurgia.
Presença de ambliopia: Pode limitar a recuperação visual mesmo com controle pressional adequado.
Necessidade de múltiplas cirurgias: Casos mais complexos podem requerer vários procedimentos.
Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, aproximadamente 80% das crianças podem manter visão funcional.
Acompanhamento de Longo Prazo
Crianças com glaucoma necessitam acompanhamento vitalicio:
Consultas frequentes para monitorar pressão intraocular.
Avaliação regular do nervo óptico.
Teste de campo visual em crianças maiores.
Monitoramento do crescimento ocular.
Ajustes na correção óptica conforme necessário.
Vigilância para complicações cirurgicas.
Avaliação e tratamento de ambliopia.
“O acompanhamento regular é crucial. O glaucoma infantil é uma condição crônica que requer vigilância por toda a vida”, ressalta a Dra. Karla.
Complicações
O glaucoma infantil e seu tratamento podem estar associados a:
Perda visual irreversível se não tratado adequadamente.
Ambliopia (olho preguiçoso).
Miopia elevada e progressiva.
Astigmatismo irregular.
Estrabismo.
Catarata (pode desenvolver após cirurgia de glaucoma).
Descolamento de retina.
Falha cirurgica necessitando reintervenções.
Infecções pós-operatórias.
Hipotonia (pressão muito baixa após cirurgia).
Diferenças Entre Glaucoma Infantil e em Adultos
Em crianças: Olho aumenta de tamanho devido à pressão elevada (buftalmo). Córnea pode ficar opaca. Tratamento é predominantemente cirúrgico. Sintomas incluem lacrimejamento e fotofobia.
Em adultos: Olho não aumenta de tamanho. Córnea permanece clara. Tratamento geralmente começa com medicamentos. Frequentemente assintomático nos estágios iniciais.
Impacto Psicossocial
O glaucoma infantil pode afetar significativamente:
Desenvolvimento educacional se a visão estiver comprometida.
Autoestima devido à aparência dos olhos (especialmente se aumentados).
Dinâmica familiar com necessidade de consultas e cirurgias frequentes.
Desenvolvimento social e participação em atividades.
Apoio psicológico para criança e família é fundamental.
Prevenção
Embora não seja possível prevenir todas as formas de glaucoma infantil:
Teste do Olhinho identifica algumas anomalias precocemente.
Consultas oftalmológicas regulares, especialmente com histórico familiar.
Avaliação rápida de qualquer sinal suspeito.
Aconselhamento genético em famílias com histórico.
Proteção ocular para prevenir traumas.
Monitoramento cuidadoso após cirurgias oculares pediátricas.
Uso criterioso e monitorado de corticoides.
Mitos e Verdades
Mito: Glaucoma só acontece em idosos.
Verdade: Bebês e crianças podem ter glaucoma congênito ou desenvolvê-lo na infância.
Mito: Lacrimejamento em bebês é sempre devido a canal lacrimal entupido.
Verdade: Pode ser sinal de glaucoma congênito e deve ser investigado.
Mito: Colírios são suficientes para tratar glaucoma infantil.
Verdade: Na maioria dos casos, cirurgia é necessária.
Mito: Após cirurgia bem-sucedida, não é necessário acompanhamento.
Verdade: Acompanhamento vitalicio é essencial.
Recursos e Suporte
Famílias lidando com glaucoma infantil podem se beneficiar de:
Grupos de apoio para pais.
Programas de intervenção precoce se houver deficiência visual.
Recursos educacionais adaptados.
Aconselhamento genético.
Apoio psicológico.
Quando Consultar um Oftalmopediatra
Procure avaliação especializada urgente se observar lacrimejamento excessivo persistente, sensibilidade anormal à luz, olhos aparentemente grandes ou assimétricos, córnea opaca ou embaçada, vermelhidão ocular persistente, histórico familiar de glaucoma infantil, ou se houver qualquer preocupação com a visão ou aparência dos olhos da criança.
“No glaucoma infantil, cada dia conta. Atraso no diagnóstico e tratamento pode significar perda visual irreversível”, alerta a Dra. Karla.
Agende Sua Consulta
Blink Oftalmologia – Brasília
Unidades: Águas Claras e Asa Norte
Dra. Karla Delalíbera – CRM-DF 16.497 | RQE 15529
Especialista em Oftalmologia Pediátrica
WhatsApp: (61) 99663-0710
O glaucoma infantil é uma emergência oftalmológica que requer diagnóstico rápido e tratamento especializado. Na Blink Oftalmologia, oferecemos avaliação completa, tratamento cirúrgico quando necessário e acompanhamento de longo prazo. Não espere – se houver qualquer suspeita, agende uma consulta urgente em Brasília.





